terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Conto I - A mulher que criou um ritual para amenizar a saudade que sentia da sua família

01.2010
Conto - ``A mulher que criou um ritual para amenizar a saudade que sentia da sua família
Arrisco-me ao meu primeiro conto!!!!!

Tem pessoas que por motivos vários vivem distantes de suas famílias.

Conheci uma mulher que saiu da casa dos seus pais ainda na adolescência para estudar fora. Na condição de estudante, dependente financeira e emocionalmente de seus pais mesmo longe, mantinha um ir e vir dentro da sua família, da sua cidade, da sua cultura.

Como adolescente, lógico queria mais ir do que vir!!!! Afinal na adolescência os filhos querem a tudo custo ser diferentes dos pais. Neste tempo, sobrava pouco tempo pra muita saudade de casa. Queria mesmo era experimentar ``coisas`` novas, comidas diferentes, novos hábitos, novos amigos, novo estilo de vida.

Fez faculdade, se apaixonou algumas vezes, cresceu, tornou-se jovem. Começou a trabalhar. Ficou independente finaceiramente, sabia que a família estava ali, mas queria mais do que a família podia dar a ela.

Entre tantos acontecimentos casou-se, mudou para bem longe de sua família, da sua terra. Nesse tempo pensou ``estou construindo minha família e agora preciso muito pouco da minha família de onde vim.Vou fazer uma família bem diferente da que tenho``. Como estava enganada aquela mulher!!

Seus filhos nasceram e ela, na nova experiência de ser mãe, se viu necessitada de sua família. Tanto tempo se passara.... Deixando de ser apenas filha, esposa, profissional e adentrando por esse novo mundo da maternidade se viu querendo sua família. Foi em busca de reconectar-se emocionalmente com a família de onde viera Quando digo conectar, quero dizer fazer as pazes com seu povo, sua terra, sua família, sua cultura.

Mesmo longe- fisicamente - da família, esta mulher passou a valorizar o que antes não dava a mínima, a paisagem do seu estado passou a ser a mais bonita, a comida a mais gostosa....

Neste último natal -2009- estive com ela. Sabe o que ela me contou?
Que no dia 25 depois de celebrar o natal com amigos, chegou em casa cheia de saudades da sua família, afinal no natal queremos estar entre os nossos.
Ela então pegou o canivete que foi de seu avô, pegou algumas laranjas sentou no chão da cozinha e como num ritual imaginário descascando e chupando as laranjas pode estar mais perto de sua família amenizando a saudade que sentia de tudo e de todos, juma vez que este era um hábito de sua família em dias normais. Hábito que registrado em sua memória naquele momento emanava lembranças e sentimentos tão bons.
Essa mulher de alguma forma encontrou em seus registros emocionais um lugar de conexão, de refúgio e aconchego que só a família pode nos dar.

Pergunto a você que está lendo este conto: Você tem em sua memória lembranças de sua família que em situações de saudades, distância podem te trazer refrigério, aconchego, paz? Se tem use quando precisar, se não ainda há tempo para construir.

Outra pergunta para você que é pai ou mãe: Você tem proporcionado a seus filhos lembranças nas quais no futuro eles, através destas lembranças, poderão se conectar a família?




postado por Cláudia Elisa, às 19:38

7 comentários:

  1. Eitha! Pastora...
    rompendo mais uma vez seus limites e seguindo o curso de sua história.

    Mulher valente, mulher amável e sensível.

    Tú tens a minha admiração.

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  2. Oi querida!
    Muito bom te ver (também) por aqui... Rs
    Agora, BOM mesmo é ter terapia 'grátis', através desses contos! Vlw, viu? Vou usar e abusar.
    Seja bem-vinda no meu blog. Te espero lá, ok?
    Besos!!!
    Anna.

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  3. Minha querida,como sempre nos abençoando.
    As vezes me pego chupando uma laranja igual ao meu pai. Obrigada por me mostrar que isso é bom.
    Minha filha preicsa disso tbm.
    Amei seu blog

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  4. Que maravilha de conto! Sabe que tenho doces lembranças...isso é um tanto quanto nostálgico!
    As vezes procuro nem pensar nisso pelo medo da falta, mas por outro lado torna nosso coração duro o q é pior! Família realmente é tudo de bom por mais complicada q seja...rsrsrs...mas não pode nos impedir de caminhar. Muitas vezes vivemos tão embolados que não conseguimos realizar nossa própria caminhada. É maravilhoso alcançar isso, seguir a vida e ter lembranças de momentos da família e tb carregar em nossas atitudes os valores com os quais fomos educados.

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  5. Oi pastora, amei seu blog, tudo de bom mesmo.
    Desse jeito da para ficar mais pertinho da senhora.
    Uma grande mulher que me ajudou muito, quando mais precisei...Muito obrigada por tudo pastora, e que Deus continue te abençoando sempre.
    Não me esqueço de nenhuma palavra sequer de tudo que a senhora me falou, guardo comigo e pode ter a certeza de que mesmo não tendo terminado como o combinado, hoje me sinto muito melhor e com muita garra para continuar. Obrgada por tudo mesmo....Beijinhoss...

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  6. Quando vivemos perto dos pais somos felizes e não sabemos disso, mas a distância nos leva a reconhecer e a valorizar as pequenas coisas que até então não valorizávamos. Família é um dos elos mais fortes que nos forma o caráter e que nos deixa marcas que nos traz boas lembranças. Amei seu blog e me identifiquei com seu texto. um bj

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  7. Pastora ,pastora...Que saudades!!!!
    Lendo cada verso,lembro-me do seu modo de falar,do seu geito seguro (não q seria o certo ou errado), mas passando uma certeza de atitude correta...enfim,nunca esqueci dos momentos em que pude aprender muito contigo,na época só filha,esposa e pastora,mas já aguardando o momento de ser mãe.Sim,sem dúvida alguma FAMILIA é tudo,e proporsionar momentos especiais para nossos filhos é o que melhor podemos fazer nessa missão que Deus nos proporciona nesta vida!
    Grande abraço e bjs de quem te admira muiiito!!!
    Sandra Couto.

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